O Fator Ancelotti e o poder da influência no marketing esportivo

À medida que a Copa do Mundo se aproxima, a influência se tornou um dos ativos mais valiosos do esporte — e um dos mais difíceis de mensurar. 

Em mercados como o Brasil, onde o engajamento com o futebol está muito acima da média global, as marcas estão expostas a audiências massivas, volatilidade emocional e altos riscos financeiros, mas a visibilidade sozinha já não é suficiente.   

O que eles precisam vai além do simples reconhecimento, exigindo uma compreensão clara da conexão emocional que os fãs têm com seus ídolos do esporte.    

Influência não é universal  

Um dos maiores equívocos do marketing esportivo é tratar influência como uma métrica única. Na prática, diferentes personalidades geram valor de maneiras muito distintas. 

Enquanto alguns atletas transmitem confiança, outros impulsionam relevância ou despertam interesse imediato. Alguns influenciam comportamento, enquanto outros reforçam credibilidade de marca no longo prazo. Quando essas dimensões não são totalmente compreendidas, as decisões de marca correm o risco de se apoiar apenas na intuição. 

Ter múltiplas lentes de análise é essencial. Isso mostra porque uma personalidade funciona melhor para o setor bancário, outra para bens de consumo e outra para serviços digitais de alto engajamento.   

A identidade de cada marca pessoal é moldada pela forma como a carreira se desenvolve diante da percepção pública. Isso significa que cada personalidade tende a se conectar de forma mais natural com determinados setores econômicos — fazendo da influência uma questão de alinhamento, e não apenas de escala. 

O Fator Ancelotti  

Carlo Ancelotti é um exemplo claro de como essa perspectiva agrega valor. 

No Brasil, sua imagem carrega forte autoridade. Ancelotti é o primeiro técnico estrangeiro a comandar a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo, quebrando uma tradição de longa data e trazendo consigo sua reputação global. 

Em setores onde a confiança é fundamental, como o bancário, essa percepção pesa mais do que popularidade. Seu histórico global se converte em confiança e credibilidade junto aos brasileiros. 

A mesma lógica se aplica ao ecossistema da Seleção. Atualmente patrocinado pelo iFood, uma plataforma digital brasileira especializada em entregas online, o mascote Canarinho ganha destaque em categorias de grande alcance, como bebidas não alcoólicas e aplicativos de delivery. 

Neymar Jr. e Vinícius Jr. são líderes na combinação dos mais altos níveis de notoriedade e interesse do país. Por ser o atleta com maior nível de reconhecimento, Neymar também apresenta o melhor resultado no atributo confiança, provando ser uma personalidade versátil em diferentes categorias de produtos. 

Isso se reflete nas diversas campanhas lançadas imediatamente após sua convocação para a Copa do Mundo por marcas de diferentes segmentos, como Mercado Livre (plataforma de e-commerce e tecnologia), Canção (empresa do setor alimentício), Red Bull (marca de bebidas energéticas e potência de marketing) e Puma (marca de roupas esportivas e acessórios). 

Por que isso importa 

A Copa do Mundo é o maior evento do mundo. A exposição aumenta, as emoções se intensificam e as decisões de investimento aceleram. Ao mesmo tempo, a margem para erro diminui. 

Nesse contexto, a capacidade de entender quais atributos realmente geram valor para os consumidores se torna uma vantagem estratégica. Ao substituir suposições por evidências, as marcas conseguem atuar com mais segurança em um mercado definido por velocidade e pressão. 

Mais sobre o Talent Track – Edição Especial Jogadores  

O Ibope avaliou os perfis de 64 personalidades do futebol — 62 jogadores, além de Ancelotti e do mascote Canarinho. A pesquisa foi realizada em abril de 2026 com 2 mil participantes, representando 128,8 milhões de usuários de internet com 18 anos ou mais, analisando diferentes aspectos do engajamento do consumidor com personalidades esportivas: confiança, identificação, relevância, interesse e comportamento.